"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

20
Jul 10

 


Como alguns sabem, sou daqueles que defendem que o professor deve ser, antes de tudo o resto, professor. Depois, pode ser assistente social e psicólogo, animador e outras coisas interessantíssimas. Mas se deixar de ser um profissional exímio, tudo o resto se quedará sem sentido.

 

Digo isto a propósito de um texto que aqui vou citar. É um Grito de Alma. E eu compreendo-o bem. Fico, acima de tudo, satisfeito por saber que esta minha preocupação ocupou, pelo menos, uma parte de um dos parágrafos da autora.

 

Ser professor é ter uma profissão eminentemente relacional, que se constrói na vivência da relação. Não estou a esquecer-me da necessidade do conhecimento científico do professor e da necessidade de ele saber trabalhar esse conhecimento do ponto de vista pedagógico, para que os alunos possam aprender. Estou apenas e tão-só a salientar a importância da dimensão humana e relacional do processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, da profissão docente.

Armanda Azenhas

 

Aqui fica o link para o texto completo.

 

imagem daqui

publicado por Ricardo Antunes às 22:38

15
Jul 10

"Não penso que seja necessária uma catástrofe natural, mas penso que é necessária uma mudança radical"

Aqui está a prova de que vale a pena acreditar na mudança.
Assistam a 10 minutos de querer e vontade de fazer melhor!
E depois pensem um pouco se a escolha livre, de que se fala no final, não vos parece ter vantagens que devem, no mínimo, ser discutidas.

publicado por Ricardo Antunes às 22:58

26
Jun 10
Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.

José Saramago, Revista Expresso, (entrevista), 11 de Outubro de 2008

 


imagem daqui

 

 

Trago-vos hoje um texto sobre uma temática muito interessante: o que faz, a escola, com o PENSAR?

 

Sou adepto de que a Escola deveria ter disciplinas específicas para ensinar a PENSAR, mesmo com o risco de elas se tornarem "académicas". Que seja pela Filosofia e pela Literatura! Mas o que a Escola nunca deveria permitir é a anulação dessa magna faculdade humana. Sem tal exercício, a pergunta básica tem de ser feita: para que serve a Escola?

 

Deixo-vos alguns excertos.

 

Saber pensar é uma potencialidade humana e possui relação com a capacidade de aprendizagem. “É a teoria mais prática que existe, ou a prática mais teórica que existe” (DEMO, 2004). Saber pensar é não ter pressa para enquadrar a realidade, memorizar a fórmula, construir a resenha ou o quadro conceitual. É um jogo ousado que exige deslocamento de quem pensa: ir ao encontro do outro e trazer o outro (pessoa, fenômeno…) para si. Jogo que pode ser percebido em sua dimensão de externar e ressignificar as angústias e outros sentimentos, como também pode ser percebido como o jogo por disputa de significados, opiniões e pontos de vistas diferentes.

 

 

A ampliação/modificação do espaço-atividade sala de aula, pode ser percebida de duas formas: uma metafórica, no sentido de uma mudança substancial das atividades que acontecem dentro dela; outra, no sentido espacial concreto. Se notarmos, existem escolas novas do ponto de vista arquitetônico, mas que já nascem velhas do ponto de vista pedagógico.

 

Rubem Alves, em uma crônica do seu livro “Um céu numa flor silvestre”, apresenta uma imagem que tomarei emprestada para iniciar a reflexão sobre o lugar predominante do pensamento criador no espaço-atividade sala de aula. Para ele, as idéias são como milhos, que sob o calor do fogo, se transformam em pipocas. Uma idéia seria como uma pipoca que estoura. Esta transformação é um potencial do milho, mas só acontece quando ele passa pelo poder do fogo. Existem, ainda segundo o autor, os milhos que, apesar de passar por processos semelhantes, não se transformam em pipocas e são conhecidos como piruás.

Transportando a crônica para o campo da nossa reflexão, podemos nos perguntar: por que alguns milhos não se transformam em pipocas? Sua posição na panela pode influenciar no resultado? E a quantidade de milhos e óleo dentro da panela? A intensidade do fogo?

 

O que os alunos e alunas fazem com a coleção de textos copiados depois das aulas? Quando voltam aos mesmos? O que pensam com eles? Pode-se reivindicar a possibilidade de pensar com os textos, antes e a partir deles.

“Eu digo que ler não é só caminhar sobre as palavras, e também não é voar sobre as palavras. Ler é reescrever o que estamos lendo. É descobrir a conexão entre o texto e o contexto do texto, e também como vincular o texto/contexto com o meu contexto, o contexto do leitor. (…) Portanto, sou favorável a que se exija seriedade intelectual para conhecer o texto e o contexto. Mas, para mim, o que é importante, o que indispensável, é ser crítico. A crítica cria a disciplina intelectual necessária fazendo perguntas ao que se lê, ao que está escrito, ao livro, ao texto. Não devemos nos submeter ao texto, ser submissos diante do texto. A questão é brigar com o texto, apesar de amá-lo, não é? Entrar em conflito com o texto. Em última análise, é uma operação que exige muito. Assim, a questão não é só impor aos alunos numerosos capítulos de livros, mas exigir que os alunos enfrentem o texto seriamente.” (FREIRE, SHOR. 1986: 22.)

 

O texto completo pode ser lido aqui.

publicado por Ricardo Antunes às 01:52
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16
Jun 10

Apresento-vos, a propósito de bons exemplos de práticas, o Blog Pequenos Patifes, da Educadora Cristina Lares.

 

Vejam lá este trabalho... e digam se não é fantástico.

 

publicado por Ricardo Antunes às 11:10

15
Jun 10

Deixo-vos hoje uma entrevista ao Mestre Agostinho da Silva.

 


“Hoje, a maior parte dos desgraçados dos alunos têm de aguentar professores a quem não pediram coisa nenhuma.”

 

"Vivemos numa guerra constante de competição e aos alunos ensinam coisas desnecessárias. O futuro é promissor na justa medida em que as máquinas vão substituir o trabalho manual, havendo assim tempo para o ócio e o lazer. Toda a gente nasce poeta e uma das formas de criação e poesia é a vadiagem. Temos assim uma cultura de criação de arte, poetas à solta no seu lazer. Mas é preciso saber ser vadio. Arte, Criação, porque o homem não nasceu para trabalhar, mas para criar. É o tal poeta à solta. Temos que enfrentar esta guerra com a política dos três SSS. A saber: Sustento, Saber e Saúde"

 

Fica em duas partes e, lamentavelmente, não consegui encontrá-la com melhor qualidade (há desfasamento entre a imagem e o som).

Mas vale a pena. É a primeira da série "Conversas Vadias". Conduz a entrevista Maria Elisa.

 

 

 

 

publicado por Ricardo Antunes às 23:13

11
Jun 10

Vamos lá ver se consigo dar aqui um salto hoje à noite.

Promete ser um momento rico de partilha e prazer.

 

A Biblioteca da E.B. 1 Viseu nº 1 - Ribeira tem procurado desenvolver um conjunto de actividades que estimulam o gosto pela leitura e as literacias, no sentido de formar futuros cidadãos críticos, em colaboração com o trabalho desenvolvido pelos docentes.
Nesta sequência, o Projecto «Biblioteca fora d’Horas» terá lugar na sexta-feira, dia 11 de Junho, pelas 20:30, no espaço exterior da Escola e vem coroar os esforços desenvolvidos ao longo do ano, porque nasce de vivências multifacetadas de leitura, que se oferecem à Comunidade Educativa, com especial atenção dispensada aos encarregados de educação, que poderão desfrutar de uma vintena de espectáculos encenados pelos alunos, em torno de experiências diversas de leitura. Enquanto isto, o espaço central do palco será rodeado de um número considerável de outras actividades, de acordo com a oferta de cada stand, num total de sete eventos, a saber, a feira do livro usado, os jogos educativos manipuláveis, a banca dos jornais, a confecção de marcadores de leituras, a oficina de pintura, o roteiro turístico e finalmente, no sétimo stand, a zona multimédia.
Outro centro de atracção deste serão de leitura tão singular será desenvolvido dentro de uma tenda medieval, na qual se pode tomar um chá enquanto se degusta um conto narrado por personagens que desejam transportar a audiência para tempos remotos de outrora e trazê-la de regresso aos contos da actualidade, enquanto o ambiente se deixa embalar por melodias propícias a cada atmosfera. Recuando ainda mais no tempo, os visitantes poderão apreciar dois dinossauros de grande porte que estarão expostos no recinto, sendo dado algum esclarecimento por uma arqueóloga convidada para o efeito.
Esta actividade conta com o apoio da Câmara Municipal de Viseu, a Expovis, o Diário Regional de Viseu, o Jornal do Centro, a Região de Turismo do Centro de Portugal, a Naturtejo, Continente de Viseu e o Olho Turista, Lda.

 

Ver aqui.

publicado por Ricardo Antunes às 15:15

07
Jun 10

Artigo interessante, no Público, e que começa a levantar as questões certas.

Continuo sem saber se na reformulação do parque escolar do 1.ºCEB, muito mais profunda, se têm em conta estas questões...

 

Uma escola descentrada da sala de aula, em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus computadores portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca e discutindo projectos...

 

Continuar a ler aqui.

 

Já que alguém se deu o trabalho de criar informação tão relevante como esta, sobre os aspectos técnicos a considerar na construção destas escolas novas, será que não podemos discutir outros aspectos?

 

imagem daqui

publicado por Ricardo Antunes às 15:34

03
Jun 10

Actualização:

 

Do Profblog:

Fui colega da ministra da educação num mestrado em educação. Passaram 25 anos. Tivemos os mesmos professores e lemos os mesmos livros e papers. Toda a literatura da época sobre as escolas eficazes apontava no mesmo sentido: defesa das escolas de pequena e média dimensão, com lideranças democráticas fortes, onde todos se conhecem, onde os directores tratam os professores pelos nomes e os professores chamam os alunos pelos nomes.

 

Será assim tão dificil de perceber?

________________________________________________

A senhora ministra falou.

Continua muita coisa por explicar.

Continuam generalizações sobre generalizações.

Continua a ver-se o país a partir de Lisboa.

E parece que continuamos a não ser capazes de pensar seriamente sobre o assunto...

 

Salvou-se a prestação do José Rodrigues dos Santos. Aqui ou ali um pouco exagerada, mas sempre clara e procurando arrancar algo concreto a um discurso propositadamente generalista, quase dogmático, estéril e vago.

 

Para ver, clique na imagem e avance no vídeo até ao minuto 2:21.

Como já fui afirmando antes, estou de acordo com a lógica de encerramento. Não consigo é perceber por que razão não estão todos os membros da comunidade escolar envolvidos num projecto tão profundo processo de reformulação. E não é só dos encerramentos que devíamos estar a falar.

 

Devíamos estar a falar dos novos Centros Escolares. O que são? Qual o modelo de escola que preconizam? Quem os desenha e com que orientações?

A senhora ministra diz que os novos Centros Escolares são excelentes. Mas eu vi, nas últimas semanas, Centros Escolares novinhos em folha, neste distrito de Viseu, em que ou todos os quadros foram substituídos por quadros interactivos, ou um ano depois da abertura, ainda não chegou a internet, ou com espaços interiores excelentes, mas praticamente sem espaços exteriores...

 

Era disto que eu gostava de ouvir a senhora ministra falar.

E já agora, se não fosse pedir muito, sobre o que será dos Programas de Formação Contínua...

publicado por Ricardo Antunes às 22:17

01
Jun 10

Ken Robinson:

No necesitamos cambios, necesitamos revolución

 

Ken Robison é conhecido de muitos pela fantástica apresentação em que defende que a Escola mata a Criatividade. (acabei de recolocar esse vídeo no blog)

 

Agora, deixo-vos com uma outra. Muito boa, também.

 

Otro gran problema está en el conformismo. Hemos construido un modelo educativo fastfood, estandarizado, cuando el mundo (más interconectado que nunca antes) es diverso y depende de múltiples circunstancias locales. Las consecuencias de ello en nuestras inteligencias son comparables a las de la comida fastfood en nuestros cuerpos.

 

 

 

Para legendas, clique na opção respectiva, dentro da caixa de vídeo (este tem apenas legendas em inglês)

 

Chegou por esta via, por sugestão do meu antigo chefe.

publicado por Ricardo Antunes às 12:02

 

Já aqui vos mostrei esta apresentação.
Volto a ela.
Não é preciso palavras para descrever isto.
Basta ver e ouvir.
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara"
Livro dos conselhos
(Saramago)
publicado por Ricardo Antunes às 12:00

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