"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

28
Fev 14

Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigí-la.
Porém, se a não corrigires, não a alcançarás. Entretanto, não te resignes.
Do Livro dos Conselhos

Sabem os que me conhecem que tenho trabalhado, entre outras coisas, como Revisor de livros. É uma tarefa de que gosto, que aprecio e que fui aprendendo a fazer, já que não há propriamente cursos para tal.
Também sabem da minha paixão por Saramago. Aprecio-lhe a fala, o discurso, as estórias e o desafio constante à realidade estabelecida. Um e outro, são gostos. Discutíveis, portanto, mas parte do que me aquece a alma. Gosto por trabalho é coisa que vai escasseando. Gosto por Saramago é comprar guerras com muitos. Vem esta conversa toda à guiza por se ter dado o curioso facto de, entre muitos livros lidos de Saramago, eu nunca ter lido a História do Cerco de Lisboa. Não foi por falta de avisos, do próprio autor, que em variadíssimas entrevistas me alertou para essa necessidade. Aconteceu. É assim. Coisas de quem leu a obra de diante para trás. Ora acontece que, tendo comprado, já há umas semanas a dita obra, só ontem tive a disponibilidade para lhe pegar. E foi com espanto e fascínio que descobri, logo nas primeiras linhas, que se trata de uma estória sobre um Revisor. Precisamente sobre o revisor da obra História do Cerco de Lisboa. Brilhante, mais uma vez, Saramago. E fascinante para mim, iniciado nas lides de revisão.
Tenho tanto para aprender...


"Acima de tudo, primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso de vexações."

publicado por Ricardo Antunes às 23:53

25
Set 10

Sinto sempre fascínio por explicações simples para fenómenos complexos.

publicado por Ricardo Antunes às 23:48

16
Mai 10

Como muitas coisas na minha vida, os estudos literários caíram-me no regaço por mero acaso. Dava aulas de várias coisas e pediram-me que desse aulas de Introdução aos Estudos Literários. Aconteceu na Guarda, aconteceu em Timor e aconteceu em Viseu. A princípio, foi a correria do costume, para preparar aulas, buscar lógicas e criar um discurso, um fio condutor. Não consigo dar aulas sem isso.

Revirei sebentas antigas, recordei aulas do Doutor Osvaldo Silvestre e do Doutor Seabra Pereira. E lá fui.

 

Não fui (não sou, mea culpa) um leitor sistemático. Leio muito, mas sou um leitor intermitente. Um bocadinho aqui, outro ali...

Acho até que o gosto pela filosofia terá contribuído para isso.

E eis que entra em cena Saramago. A partir da obra Diálogos com José Saramago do Professor Carlos Reis, pude entrar um pouco mais no processo de escrita e na forma de ver a literatura pelo escritor. E percebi muito melhor o que é relevante.

 

Pena que estas conversas não tivessem sido gravadas em vídeo.

 

Tenho agora entre mãos a obra Conversas com Escritores, de José Rodrigues dos Santos.

Curiosamente, as grandes questões dos Estudos Literários aparecem logo na apresentação e a questão central que perpassa as entrevistas é precisamente O que é um bom Romance.

 

Apesar de ser uma conversa curta, não comparável à profundidade dos diálogos com Carlos Reis, é muito interessante ver como a reflexão sobre o que é ser escritor aparece a cada momento na conversa que Rodrigues dos Santos teve com Saramago.

 

Quando JRS o questiona sobre o que o levou a dedicar-se profissionalmente, e em exclusivo, à escrita, JS responde:

 

Foram as circunstâncias e depois a descoberta, isso sim, importantíssima, que ocorreu quando me confrontei com a evidência de que tinha leitores. E creio que os leitores tiveram uma parte importante no facto de eu continuar a escrever.

Ainda bem...

Vejam aqui a conversa (duração: cerca de 30 minutos).

 

 

publicado por Ricardo Antunes às 22:48

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