"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

06
Abr 13

E se, de repente, num local improvável, por trás de uma mesa de mistura, microfones e rolos de fita isoladora, na penumbra, descobríssemos um dos impulsionadores de uma recolha fantástica? Os Cinco, Noddy, Tom Sawyer, Os pequenos vagabundos, e tantos mais... Pois ontem, foi assim. Já conhecia o Paulo e não fazia ideia de que este trabalho todo era dele. Na verdade, analisando bem, ele tem os ingredientes certos: gosta de estar na sombra, mas é o garante do sucesso de muitos eventos.

 

O Paulo Ferreira, grande técnico de som e imagem, que tem acompanhado muitas das apresentações da Areal Editores, criou de raiz, e alimenta, este magnífico espólio:

Site MISTÉRIO JUVENIL: Este website foi criado para apoiar os entusiastas das histórias de Enid Blyton, Robert Arthur e preservar as recordações da nossa infância. Não tem fins comerciais. ®Mistério Juvenil é membro da Enid Blyton Society. ®Mistério Juvenil e logo são marca registada de Paulo Ferreira

 

O projeto também está no Facebook.

 

Além disto, tem um fantástico canal no YOUTUBE em que podem encontrar alguns tesouros da nossa TV e reavivar memórias.

 

Por fim, e não menos importante do que qualquer das alternativas anteriores, o Paulo criou ainda uma Base de Dados de literatura infanto-juvenil que já será das mais completas do país. Consultem e comprovem. A Juvenilbase é uma ferramenta integrada no projeto Mistério Juvenil, é um portal de utilização gratuita e sem fins comerciais. Tem como objetivo reunir num só espaço toda a informação bibliográfica relacionada com a literatura juvenil, banda desenhada,  cadernetas de cromos e publicações que tenham como tema a infância e juventude editadas em Portugal e em português até aos nossos dias e ex-colónias até 1974. Pretende também proporcionar aos visitantes informação acerca destas obras, incluindo, sempre que possível, imagens, vídeos, sons e outros registos. O Juvenilbase está disponível desde 4 de Agosto de 2008, continua em fase de inserção e atualização de dados.

Boa Paulo! Continuaremos a encontrar-nos por aí.

publicado por Ricardo Antunes às 10:16

07
Out 10

Mario Vargas Llosa

 

 

Não sou fã, mas reconheço a justiça desta atribuição.

Tanto mais que quebra uma tradição de atribuição do Nobel a escritores que reflectem um pensamento de esquerda.

E traz de novo o prémio para uma esfera puramente literária.

É o que eu acho.

publicado por Ricardo Antunes às 17:07

15
Set 10

E se, de repente, uma notícia de jornal, sobre um banal acidente ou sobre o tempo que faz, se transformassem em pérolas literárias?

 

E se um camião fosse visto como um transformer? E se o Atlântico aparecesse deprimido?

Metáforas descabidas? Não! Peças de literatura.

 

Leiam e deliciem-se (vão por mim: não se fiquem pelos excertos... vale a pena ler os textos completos!):

 

Exemplo 1.

Como ficou, todo estampado de costas, o atrelado tombado de lado na encosta, carga espalhada e os 12 rodados indignamente virados ao ar, o grande Scania R440, um muito possante semi-reboque, vermelho vivo, novo, parecia um Transformer que correu horrivelmente mal. Bastava ver-lhe a cara que é a sua cabina - pareceu ter levado um soco do céu: testa de vidro partida, grelha metida pelas fuças adentro, todo amarrotado como papel, um sem-número de fios e mecânicas vísceras, a escorrer, à mostra de todos. Metia dó, como um escaravelho que capota e não se pode levantar. Mas, mais do que isso, metia medo.

 

Exemplo 2.

De quem é então a culpa deste tempo tossido? É do Atlântico, está deprimido, explica o serviço do Instituto de Meteorologia - a música de espera na linha é a mesma, Vivaldi jacente.

 

Agora perguntemos, em coro: o que faz um escriba destes numa redacção do JN, encarregue de assuntos triviais?

 

publicado por Ricardo Antunes às 19:51

19
Jun 10

História infantil escrita por José Saramago.

publicado por Ricardo Antunes às 08:32

17
Jun 10

 

Eugénio de Andrade diz os seus textos.
Para saborear!

1 - A terra da Palha Rasa

 

2 - Canção


3 - Canção Infantil


4 - Mulheres de preto


5 -
Vêm da infância

 

6 - A uma cerejeira em flor

 

7 - Frutos

 

publicado por Ricardo Antunes às 14:55

29
Mai 10

...e mais sinais de que é possível.

 

Encontrei no blog Terrear outro (de vários) exemplo de conquistas neste território difícil.

 

Atenção ao destaque, dentro do destaque.

 

Ontem em Beiriz, com lideranças inspiradoras, a dedicação e profissionalismo de muitos professores, largas dezenas de alunos, centenas de pais: evidências claras e quentes de uma comunidade sempre em construção, numa noite de primavera.

 

Quando assim é, é um prazer, de facto...

 

Via Terrear

publicado por Ricardo Antunes às 16:33

Aonde iremos...? A lugar nenhum... a todo o lado!

 

Texto belíssimo. Música e interpretação a condizer.

 

 

 

 

 

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...

Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!

David Mourão-Ferreira, "A Secreta Viagem"

publicado por Ricardo Antunes às 12:35

16
Mai 10

Como muitas coisas na minha vida, os estudos literários caíram-me no regaço por mero acaso. Dava aulas de várias coisas e pediram-me que desse aulas de Introdução aos Estudos Literários. Aconteceu na Guarda, aconteceu em Timor e aconteceu em Viseu. A princípio, foi a correria do costume, para preparar aulas, buscar lógicas e criar um discurso, um fio condutor. Não consigo dar aulas sem isso.

Revirei sebentas antigas, recordei aulas do Doutor Osvaldo Silvestre e do Doutor Seabra Pereira. E lá fui.

 

Não fui (não sou, mea culpa) um leitor sistemático. Leio muito, mas sou um leitor intermitente. Um bocadinho aqui, outro ali...

Acho até que o gosto pela filosofia terá contribuído para isso.

E eis que entra em cena Saramago. A partir da obra Diálogos com José Saramago do Professor Carlos Reis, pude entrar um pouco mais no processo de escrita e na forma de ver a literatura pelo escritor. E percebi muito melhor o que é relevante.

 

Pena que estas conversas não tivessem sido gravadas em vídeo.

 

Tenho agora entre mãos a obra Conversas com Escritores, de José Rodrigues dos Santos.

Curiosamente, as grandes questões dos Estudos Literários aparecem logo na apresentação e a questão central que perpassa as entrevistas é precisamente O que é um bom Romance.

 

Apesar de ser uma conversa curta, não comparável à profundidade dos diálogos com Carlos Reis, é muito interessante ver como a reflexão sobre o que é ser escritor aparece a cada momento na conversa que Rodrigues dos Santos teve com Saramago.

 

Quando JRS o questiona sobre o que o levou a dedicar-se profissionalmente, e em exclusivo, à escrita, JS responde:

 

Foram as circunstâncias e depois a descoberta, isso sim, importantíssima, que ocorreu quando me confrontei com a evidência de que tinha leitores. E creio que os leitores tiveram uma parte importante no facto de eu continuar a escrever.

Ainda bem...

Vejam aqui a conversa (duração: cerca de 30 minutos).

 

 

publicado por Ricardo Antunes às 22:48

14
Mai 10

José Sócrates esteve, na semana passada, no centro da Europa, tendo passado por Paris.

Dizem as más línguas que terá sido nessa viagem que lhe fizeram um ultimatum (desta vez à francesa ou à alemã) sobre as contas públicas.

 

Mas não é disso que quero falar hoje.

Ao folhear o Sol, esta manhã, deparei-me com uma crónica do Mário Ramires (que não conheço e creio que li, hoje, pela primeira vez) sobre essa visita a um Liceu, em paris, onde Sócrates terá citado Pessoa. (não ficou o link para a crónica de Mário Ramires, porque o mesmo ainda não está disponível no site do SOL.)

 

Muito interessante perceber qual o poema citado e, mais curioso ainda, por que razão terá o nosso primeiro ministro decidido recomendá-lo aos estudantes presentes como "o melhor poema do mundo".

 

Quem diria... Escutem-no bem. Sinal extraordinário do estado de espírito do timoneiro do estado português. Creio até que não exagero se disser que estamos perante um exercício de alguma profundidade em matéria de auto-análise...

 

Para os que não querem saber de política, fica o apelo para que também escutem o poema, porque ele é, de facto, boa literatura!

 

 

 

O Poema completo pode ser lido aqui.

publicado por Ricardo Antunes às 13:40

13
Mai 10

Deixo uma referência de leitura, numa altura em que a Europa parece não perceber muito bem para que lado se virar.

Para mim, que estudei Clássicas, é penoso ver o estado a que chegou a rainha das cidades-estado. Mas mais penoso é ver que a Europa não dá sinais de perceber algo que me parece simples: sem as referências básicas que deram origem àquilo a que chamamos civilização europeia (para não dizer Ocidental), todo o edifício da Europa ruirá.

 

O livro que deixo em recomendação é o Danúbio, de Claudio Magris. Uma leitura difícil, pela quantidade de referências histórico-culturais, mas a prova de que filosofia e literatura não são, de todo, incompatíveis.

 

imagem daqui

Resenha daqui.

Danúbio, de Claudio Magris, é um dos grandes romances europeus do nosso tempo - um romance classificado na categoria de literatura de viagens, cujo tema principal serve de pretexto para explorar e dissertar sobre a cultura centro-europeia, ou seja, da Mitteleuropa.
Danúbio obteve o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes em 2004. No entanto, o romance foi escrito durante o período do alargamento da União Europeia, no início dos anos oitenta do século XX.
Magris serve-se do Grande Rio que a travessa a Europa Central como se fosse o fio de Ariadne, isto é uma linha de orientação para atravessar o conjunto de culturas e etnias que se entrecruzam, sobrepõem mas raras vezes se misturam ou diluem umas nas outras insistindo, pelo contrário, no esforço de preservar uma identidade cultural face à força do federalismo e da standartização cultural e económica. Essa viagem através do Danúbio (atravessando a Alemanha, a Áustria, a Hungria, a antiga Jugoslávia, a Roménia e a Turquia), o grande rio europeu, é a viagem pela história e pelo imaginário do nosso continente. Uma obra-prima.

Claudio Magris

Editora: Quetzal

publicado por Ricardo Antunes às 00:58

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