"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

12
Abr 11

Ainda a propósito da Avaliação do desempenho dos professores...

"The test of a good teacher is not how many questions he can ask his pupils that they will answer readily, but how many questions he inspires them to ask him which he finds it hard to answer." (Alice Wellington Rollins)

 

(via In Socrates'Wake)

publicado por Ricardo Antunes às 18:10

30
Jul 10

Leitura dos próximos dias:

 

"proclamam acaso os professores que se aprenda e fixe o que eles pensam, e não as doutrinas mesmas, que eles julgam comunicar falando? Pois quem será tão estultamente curioso que mande o seu filho à escola, para que ele aprenda o que o professor pensa? Ora depois de terem explicado por palavras todas essas doutrinas, que declaram ensinar, incluindo a da virtude e da sapiência, então aqueles que são chamados discípulos, consideram consigo mesmos se se disseram coisas verdadeiras, e fazem-no contemplando, na medida das próprias forças, aquela Verdade interior de que falámos. É então que aprendem"

Tradução de António Soares Pinheiro
Introdução e comentários de Maria Leonor Xavier

 

 

Introdução

O autor, a obra e o texto   
A filosofia de O Mestre
1. A ordem da linguagem
1.1. A regra da nominação
1.2. A regra da comunicação
2. Linguagem e conhecimento
2.1. Palavra e conhecimento da realidade

2.2. Discurso e conhecimento da verdade

2.3. Conhecimento por ostensão

2.4. Ostensão e admonição: Mestre interior e mestre exterior
Sto. Agostinho

 

O Mestre [Parte I]    [A palavra e os sinais]

Cap. I [Ensinar e rememorar]

Cap. II [O significado das palavras]

Cap.III [Palavra e realidade]

Cap.IV [Sinais de sinais]

Cap. V [Sinais recíprocos]

Cap.VI [Ossinónimos]

Cap. VII [Resumo do que se expôs]

[Parte II]    [Os sinais, a realidade e o Mestre]

Cap.VIII [Sinais e realidades]

Cap. IX [Primazia das realidades]

Cap. X [Realidades conhecidas sem sinal]

Cap. XI [Vacuidade das palavras]

Cap. XII [Palavra, sensação e intelecção]

Cap.XIII [Deficiências da palavra]

Cap.XIV[ O Mestre e a consciência]

 

Anexos

Notas de Comentário

publicado por Ricardo Antunes às 22:23

05
Jul 10

imagem daqui

 


"...ligamo-nos aos nossos semelhantes menos pelo reconhecimento dos seus prazeres que pelo reconhecimento das suas penas; pois vemos melhor, por aí, a identidade da nossa natureza e a garantia da sua ligação connosco. Se as nossas comuns necessidades nos unem pelo interesse, as nossas misérias comuns unem-nos pela afeição.O aspecto de um homem feliz inspira aos outros menos amor que inveja; acusá-lo-emos de usurpar um direito que não tem ao tomar para si a exclusividade da felicidade; e o amor-próprio sofre ainda porque nos faz sentir que não precisa de nós para nada. Mas quem é que não se compadece do infeliz que vê sofrer? Quem não desejaria libertá-lo dos seus males se o custo não fosse demasiado alto? A imaginação coloca-nos melhor no lugar do miserável do que no do homem feliz. A piedade é doce, porque ao colocarmo-nos no lugar daquele que sofre experimentamos o prazer de não sentir como ele. A Inveja,é amarga na medida em que o aspecto do homem feliz, longe de suscitar ao invejoso colocar-se no seu lugar, dá-lhe, pelo contrário,o remorso de não o poder fazer. Parece que um nos isenta dos males que sofre e o outro nos afasta dos bens que usufrui.


Se quereis excitar e alimentar no coração de um homem jovem os primeiros movimentos da sensibilidade, e formar o seu carácter para o bem agir e a bondade; não tenteis fazer germinar nele o orgulho, a vaidade, a inveja, através da imagem enganadora da felicidade dos homens; não exponhais logo aos seus olhos a pompa da corte, o fausto dos palácios, a atracção dos espectáculos; não o passeies pelos circuitos, nas brilhantes asembleias, não lhe mostreis o exterior da grande sociedade que depois poderá vir a  apreciar em si mesma. Mostrar-lhe o mundo antes que conheça os homens, não é formá-lo, é corrompê-lo; não é instruí-lo, é enganá-lo.


Os homens não são naturalmente nem reis, nem grandes, nem cortesãos, nem ricos; todos nascem nus e pobres, todos sujeitos às misérias da vida, aos desgostos, aos males, às necessidades, às dores de toda a espécie; enfim, todos estão condenados à morte. Aqui está o que é verdadeiramente o homem; aqui está aquilo a que nenhum mortal pode escapar. Comecem então por estudar a natureza humana, no que lhe é inseparável, no que constitui o melhor da humanidade."

 

Jean Jacqes Rousseau, L' Émile, Flammarion,1966, Paris, p. 287

Tradução de Helena Serrão

 

Roubado do Logosfera

 

publicado por Ricardo Antunes às 23:38

15
Jun 10

Deixo-vos hoje uma entrevista ao Mestre Agostinho da Silva.

 


“Hoje, a maior parte dos desgraçados dos alunos têm de aguentar professores a quem não pediram coisa nenhuma.”

 

"Vivemos numa guerra constante de competição e aos alunos ensinam coisas desnecessárias. O futuro é promissor na justa medida em que as máquinas vão substituir o trabalho manual, havendo assim tempo para o ócio e o lazer. Toda a gente nasce poeta e uma das formas de criação e poesia é a vadiagem. Temos assim uma cultura de criação de arte, poetas à solta no seu lazer. Mas é preciso saber ser vadio. Arte, Criação, porque o homem não nasceu para trabalhar, mas para criar. É o tal poeta à solta. Temos que enfrentar esta guerra com a política dos três SSS. A saber: Sustento, Saber e Saúde"

 

Fica em duas partes e, lamentavelmente, não consegui encontrá-la com melhor qualidade (há desfasamento entre a imagem e o som).

Mas vale a pena. É a primeira da série "Conversas Vadias". Conduz a entrevista Maria Elisa.

 

 

 

 

publicado por Ricardo Antunes às 23:13

13
Mai 10

Deixo uma referência de leitura, numa altura em que a Europa parece não perceber muito bem para que lado se virar.

Para mim, que estudei Clássicas, é penoso ver o estado a que chegou a rainha das cidades-estado. Mas mais penoso é ver que a Europa não dá sinais de perceber algo que me parece simples: sem as referências básicas que deram origem àquilo a que chamamos civilização europeia (para não dizer Ocidental), todo o edifício da Europa ruirá.

 

O livro que deixo em recomendação é o Danúbio, de Claudio Magris. Uma leitura difícil, pela quantidade de referências histórico-culturais, mas a prova de que filosofia e literatura não são, de todo, incompatíveis.

 

imagem daqui

Resenha daqui.

Danúbio, de Claudio Magris, é um dos grandes romances europeus do nosso tempo - um romance classificado na categoria de literatura de viagens, cujo tema principal serve de pretexto para explorar e dissertar sobre a cultura centro-europeia, ou seja, da Mitteleuropa.
Danúbio obteve o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes em 2004. No entanto, o romance foi escrito durante o período do alargamento da União Europeia, no início dos anos oitenta do século XX.
Magris serve-se do Grande Rio que a travessa a Europa Central como se fosse o fio de Ariadne, isto é uma linha de orientação para atravessar o conjunto de culturas e etnias que se entrecruzam, sobrepõem mas raras vezes se misturam ou diluem umas nas outras insistindo, pelo contrário, no esforço de preservar uma identidade cultural face à força do federalismo e da standartização cultural e económica. Essa viagem através do Danúbio (atravessando a Alemanha, a Áustria, a Hungria, a antiga Jugoslávia, a Roménia e a Turquia), o grande rio europeu, é a viagem pela história e pelo imaginário do nosso continente. Uma obra-prima.

Claudio Magris

Editora: Quetzal

publicado por Ricardo Antunes às 00:58

27
Mar 10

Foi com este texto que Agostinho da Silva me cativou.

Desde então, sempre que preciso de (re)pensar a função que desempenho, volto cá. E saboreio cada palavra.

 

 

O Professor como Mestre

Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa inteligência e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das atenções das pessoas mais sérias; creio mesmo que tal distinção foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, é sempre possível a comparação com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de mérito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre não é de modo algum um emprego e que a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro. A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala. Outros há que fazem da marcha do homem sobre a Terra uma estranha concepção; vêem-no girando perpetuamente nos batidos caminhos; e, julgando o mundo por si, não descobrem em volta mais que uma eterna condenação à maldade, à cegueira e à miséria; bem no fundo da alma nenhuma luz que os alumie e solicite; porque não acreditam em progresso nenhuma vontade de melhorar; são os que troçam daquilo a que chamam «a pedagogia moderna»; são os que se riem de certos loucos que pensam o contrário.
Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo.

 

Agostinho da Silva

publicado por Ricardo Antunes às 15:58

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