"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

12
Jun 13

  Este é um texto que me acompanha há já muito tempo. Num momento em que a luta entre professores e ministério está ao rubro, volto a ele, para que não se perca, no meio da poeira dos dias, o essencial. A voz ao Mestre, Agostinho da Silva.

 

imagem daqui

Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa inteligência e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das atenções das pessoas mais sérias; creio mesmo que tal distinção foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, é sempre possível a comparação com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de mérito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre não é de modo algum um emprego e que a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.

A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala. Outros há que fazem da marcha do homem sobre a Terra uma estranha concepção; vêem-no girando perpetuamente nos batidos caminhos; e, julgando o mundo por si, não descobrem em volta mais que uma eterna condenação à maldade, à cegueira e à miséria; bem no fundo da alma nenhuma luz que os alumie e solicite; porque não acreditam em progresso nenhuma vontade de melhorar; são os que troçam daquilo a que chamam «a pedagogia moderna»; são os que se riem de certos loucos que pensam o contrário. Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo.

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

publicado por Ricardo Antunes às 22:13

08
Jun 13

 

Como os que me conhecem sabem, sou dos que gostam de dar o benefício da dúvida. Até já aqui escrevi sobre isso há tempos.
Quando o ministro Nuno Crato começou a sua reforma educativa, fui observando, cada vez mais de fora e afastado (por opção) enquanto profissional, e cada vez mais por dentro como pai.

 

Vários sinais foram e continuam a ser positivos e disso também encontrarão algum eco nestas páginas: gosto da autonomia das escolas, acredito que em qualquer instituição (e as escolas não são diferentes nesse ponto, muito pelo contrário) tem de haver quem mande e quem manda tem de poder escolher com quem trabalha (com a arbitrariedade que isso sempre traz).

 

Há, contudo, outros casos em que os sinais são menos interessantes. Na semana passada, o sr Mário (cozinheiro e empregado de mesa e bar durante mais de 40 anos, com quase 60 anos e muitas histórias para contar) trouxe-me um fac-símile do Livro de Leitura da 3.ª classe. Orgulhoso, mostrava-me as páginas e, apesar de ter apenas completado a 4.ª classe, sem sequer ter tido a "honra" de fazer o exame (naquele dia foi preciso ajudar na quinta onde ele e a família moravam e trabalhavam), queria que eu visse como ele ainda sabia parte dos textos de cor.

 

A páginas tantas, eis que salta para a ponta da língua o "Palram pega e papagaio". Este é um texto de Pedro Dinis, um antigo diretor da Biblioteca Nacional, e foi recolhido por Antero de Quental, numa antologia intitulada Tesouro Poético da Infância. Nada disto seria relevante, não fosse termos o sr ministro Crato a insistir nessa ideia de que  as Metas são o Alfa e o Ómega da sua política educativa. E não é que este poema é precisamente um dos de leitura obrigatória no 1.º Ciclo, nas Metas Curriculares de português?Um regresso à ribalta que pode servir de exemplo do conservadorismo que temos pela frente. Esse conservadorismo que salta à vista quando lemos declarações como esta, em entrevista à Revista Veja:

Memorizar a tabuada, cidades e rios
Contra o 'eduquês' e as teorias de Jean Piaget, Nuno Crato defende a memorização. “É importante decorar a tabuada, o nome e a localização de certos rios e cidades e as datas mais importante da História.”

Questionado sobre o modo como as crianças aprendem, o ministro afasta a ideia do gosto pela aprendizagem. Esse é um “pensamento muito limitado” e exemplifica: “Veja o caso da leitura. Muitos educadores acham que para ler bem a criança precisa, antes de qualquer coisa, estar desperta para o gosto pela literatura”, mas não [não??] , Crato considera que “tem de se ler muito, mesmo sem gostar”.

Estamos entendidos.

publicado por Ricardo Antunes às 00:42

12
Abr 13

Descobri ontem esta carta, que está a tornar-se viral na internet (apesar de não ser essa a intenção do autor).

Trata-se da carta de demissão de um professor, dando-se conta de que não é ele quem abandona a profissão, mas a profissão que o abandonou a ele, no sentido em que já não existe como tal. "After writing all of this I realize that I am not leaving my profession, in truth, it has left me. It no longer exists."

 

Jerry Conty foi (eu acho que continua a ser) professor de história. Viveu na pele o fenómeno da tentativa de estandardização  (padronização, uniformização), que nos Estados Unidos aconteceu mais cedo do que por cá. E a sua carta de demissão é uma reação a esse modelo e forma de ver a educação. Para quem acredita na educação, e vive por dentro esta ideia do ser educador, a descrição que ele faz do que é, no seu entender e experiência, ser professor, é deliciosa (ver parágrafo 3). “Education is not preparation for life, education is life itself.”

 

Por cá, ainda estamos a cavalgar a onda do one-size-fits-all. A onda ainda está a crescer. Noutros países, parece que já estão em processo de ajustamento. Talvez fosse tempo de aproveitar as lições da história. (ler os parágrafos 4 e 5) De ver o que outros já estão a perceber.

 

Mais do que as minhas palavras, deixo-vos a carta (no original, em inglês).

Antes disso, contudo, deixo uma entrevista com o autor da carta.

Gerald J. Conti
4375 South Onondaga Road
Nedrow, New York 13120
February 7, 2012

Mr. Casey Barduhn, Superintendent
Westhill Central School District
400 Walberta Park Road
Syracuse, New York 13219

Dear Mr. Barduhn and Board of Education Members:

It is with the deepest regret that I must retire at the close of this school year, ending my more than twenty-seven years of service at Westhill on June 30, under the provisions of the 2012-15 contract. I assume that I will be eligible for any local or state incentives that may be offered prior to my date of actual retirement and I trust that I may return to the high school at some point as a substitute teacher.

As with Lincoln and Springfield, I have grown from a young to an old man here; my brother died while we were both employed here; my daughter was educated here, and I have been touched by and hope that I have touched hundreds of lives in my time here. I know that I have been fortunate to work with a small core of some of the finest students and educators on the planet.

I came to teaching forty years ago this month and have been lucky enough to work at a small liberal arts college, a major university and this superior secondary school. To me, history has been so very much more than a mere job, it has truly been my life, always driving my travel, guiding all of my reading and even dictating my television and movie viewing. Rarely have I engaged in any of these activities without an eye to my classroom and what I might employ in a lesson, a lecture or a presentation. With regard to my profession, I have truly attempted to live John Dewey’s famous quotation (now likely cliché with me, I’ve used it so very often) that “Education is not preparation for life, education is life itself.” This type of total immersion is what I have always referred to as teaching “heavy,” working hard, spending time, researching, attending to details and never feeling satisfied that I knew enough on any topic. I now find that this approach to my profession is not only devalued, but denigrated and perhaps, in some quarters despised. STEM rules the day and “data driven” education seeks only conformity, standardization, testing and a zombie-like adherence to the shallow and generic Common Core, along with a lockstep of oversimplified so-called Essential Learnings. Creativity, academic freedom, teacher autonomy, experimentation and innovation are being stifled in a misguided effort to fix what is not broken in our system of public education and particularly not at Westhill.

A long train of failures has brought us to this unfortunate pass. In their pursuit of Federal tax dollars, our legislators have failed us by selling children out to private industries such as Pearson Education. The New York State United Teachers union has let down its membership by failing to mount a much more effective and vigorous campaign against this same costly and dangerous debacle. Finally, it is with sad reluctance that I say our  own administration has been both uncommunicative and unresponsive to the concerns and needs of our staff and students by establishing testing and evaluation systems that are Byzantine at best and at worst, draconian. This situation has been exacerbated by other actions of the administration, in either refusing to call open forum meetings to discuss these pressing issues, or by so constraining the time limits of such meetings that little more than a conveying of information could take place. This lack of leadership at every level has only served to produce confusion, a loss of confidence and a dramatic and rapid decaying of morale. The repercussions of these ill-conceived policies will be telling and shall resound to the detriment of education for years to come. The analogy that this process is like building the airplane while we are flying would strike terror in the heart of anyone should it be applied to an actual airplane flight, a medical procedure, or even a home repair. Why should it be acceptable in our careers and in the education of our children?


My profession is being demeaned by a pervasive atmosphere of distrust, dictating that teachers cannot be permitted to develop and administer their own quizzes and tests (now titled as generic “assessments”) or grade their own students’ examinations. The development of plans, choice of lessons and the materials to be employed are increasingly expected to be common to all teachers in a given subject. This approach not only strangles creativity, it smothers the development of critical thinking in our students and assumes a one-size-fits-all mentality more appropriate to the assembly line than to the classroom. Teacher planning time has also now been so greatly eroded by a constant need to “prove up” our worth to the tyranny of APPR (through the submission of plans, materials and “artifacts” from our teaching) that there is little time for us to carefully critique student work, engage in informal intellectual discussions with our students and colleagues, or conduct research and seek personal improvement through independent study. We have become increasingly evaluation and not knowledge driven. Process has become our most important product, to twist a phrase from corporate America, which seems doubly appropriate to this case.

After writing all of this I realize that I am not leaving my profession, in truth, it has left me. It no longer exists. I feel as though I have played some game halfway through its fourth quarter, a timeout has been called, my teammates’ hands have all been tied, the goal posts moved, all previously scored points and honors expunged and all of the rules altered.

For the last decade or so, I have had two signs hanging above the blackboard at the front of my classroom, they read, “Words Matter” and “Ideas Matter”. While I still believe these simple statements to be true, I don’t feel that those currently driving public education have any inkling of what they mean.

Sincerely and with regret,

Gerald J. Conti
Social Studies Department Leader
Cc: Doreen Bronchetti, Lee Roscoe

 

publicado por Ricardo Antunes às 15:40

17
Mar 12

Sendo uma área de fronteira, menosprezada durante tanto tempo, o Ensino Profissional aparece hoje como uma solução/salvação para o aparente sucesso escolar (na verdade, e na maioria dos casos, nem esse se consegue).

 

Deixo aqui uma reflexão sobre o assunto. Não concordo com tudo. Esecialmente com o modelo apresentado para solucionar essa questão. Pode (e deve) haver escolas cujo objetivo seja o ensino profissional. Tem é de se recuperar esse ensino, e as profissões para que ele deve preparar, do estigma atual. Há modelos por essa europa fora, se não quisermos inventar a roda. Mas pensar num modelo mais mediterrânico também não era mau (a economia mediterrânica, para os mais distraídos, não se está a aguentar muito bem com o modelo do norte da europa... e se pensarmos bem, isso deve-se, em parte, à forma errada como temos gasto os nossos recursos - para mim, esse problema começa na escola).

 

Fica a reflexão de Ramiro Marques.

 

O ensino profissional, tal como está organizado, com os planos de estudo atuais e com o ethos que o caracteriza, seja em escolas estatais seja em escolas privadas, revela no mínimo uma assustadora falta de qualidade. Em muitos casos, é um puro desperdício de dinheiro. Os alunos fazem o que querem nas aulas: passam o tempo no Facebook e no You Tube, insultam os professores, deambulam livremente pela sala, entram e saem quando querem, recusam-se a trazer os livros e materiais para as aulas e são incapazes de cumprir ordens.
Haverá alguns cursos profissionais que funcionam bem. Esses devem ser acarinhados. Pelo que sei não são muitos. Não defendo a eliminação pura e simples de todos os cursos profissionais que funcionam nas escolas públicas. Os bons devem manter-se. Os que não têm qualidade devem ser eliminados e os recursos financeiros aplicados neles transferidos para centros de aprendizagem a funcionarem nas empresas.

Em ambientes sem ordem nem tranquilidade, os alunos não adquirem as virtudes consideradas imprescindíveis para a entrada no mercado de trabalho: pontualidade, assiduidade, respeito pela autoridade e resiliência. Ao invés, aprendem a ser erráticos, caprichosos, desobedientes, malcriados, arrogantes e indolentes.

Já nem falo na inutilidade de alguns planos de estudo. A área de Integração vale zero em termos de aprendizagem conseguida. A área de Mundo Atual, nos cursos Cef, vale igualmente zero.

As escolas, sejam públicas ou privadas, não são o local certo para fazer ensino profissional de jovens que acumulam insucesso atrás de insucesso e que não têm hábitos de trabalho nem respeitam os padrões mínimos de civilidade. Os alunos viciam-se numa cultura de direitos, centrada na gratificação imediata, e não dão valor nem à escola nem aos professores. Não são capazes de traçar a fronteira entre o lúdico e o trabalho, entre a brincadeira e o esforço. Tudo lhes é dado - pequeno-almoço, almoço, livros e transportes - sem lhes ser exigido nada em troca.

Os diretores habituaram-se à ideia de que a criação de cursos profissionais, Cef e Efa, ainda que não haja na escola equipamentos e recursos humanos adequados, é uma exigência que resulta das políticas educativas inclusivas. O objetivo é tirar os jovens da rua. Quanto mais cursos profissionais, Cef e Efa a escola tiver melhor é a pontuação obtida na avaliação externa.

Tal como hoje é feito, o ensino profissional é muito dispendioso e não tem qualidade. Vive de costas voltadas para as necessidades do mercado de trabalho. Oferece um ethos aos formandos que está nos antípodas daquilo que as empresas querem e pretendem.

As empresas querem profissionais que gostem de aprender, que saibam cumprir regras, respeitem a hierarquia, sejam pontuais, sejam assíduos e resilientes. As escolas onde os cursos profissionais são ministrados ensinam, em muitos casos, o contrário de tudo isto.

É preciso retirar progressivamente o ensino profissional das escolas e levá-lo para as empresas em contexto de "escola de aprendizes" ou "centro de aprendizagem". O papel central na gestão do currículo caberá ao "mestre do ofício", um técnico da empresa dotado de autoridade e sabedoria. Os formandos são obrigados a cumprir as normas e os horários vigentes na empresa e, enquanto adquirem as competências inerentes a um determinado ofício, recebem aulas de Língua Portuguesa, Matemática e Inglês ministradas por professores pertencentes a uma escola secundária com quem a empresa estabeleceu uma parceria.

Obviamente, as empresas só estarão dispostas a alinhar na reconstrução de um ensino profissional deste tipo se ganharem alguma coisa com isso. O dinheiro que hoje é entregue às escolas deve ir para as empresas dispostas a criar "escolas de aprendizes" e "centros de aprendizagem". O valor do envelope financeiro deve ser proporcional à taxa de empregabilidade conseguida.

publicado por Ricardo Antunes às 11:26

02
Jan 11

 

Ando há vários dias a ensaiar uma reacção às notícias sobre os Colégios.

 

 

Tenho uma ligação a esse mundo por via do meu percurso académico e profissional.

Primeiro, frequentei o Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim, do 9.º ao 11.º ano de escolaridade. Não havia (e creio que continua a não haver) outra escola nessa localidade.

Depois, frequentei o Colégio de S. Miguel, em Fátima, no 12.º ano. Também lá não existe oferta pública directa (há três colégios).

Anos mais tarde, quando acabei o estágio, como professor, e descobri a realidade (não ter colocação no sistema público), foi o Colégio de S. Miguel que me acolheu como professor e lá trabalhei de 1997 a 1999.

 

Conheço, assim, com algum detalhe a questão.

 

Devo dizer que muitos argumentos que foram surgindo foram, e são, interessantes e, só por si, serviriam para responder à questão (a falta de oferta na rede pública, os resultados dos alunos, a estabilidade dos envolvidos, a possibilidade de escolha, etc...). Mas não é esse o argumento que quero trazer à discussão.

 

Quando se começaram a conhecer os contornos da nova lei, o que mais se destaca (e que deveria ser motivo de reflexão por responsáveis políticos, se é que querem mesmo pensar na questão) é o facto de não terem sido fundamentalmente as Direcções dos Colégio a criar movimentos de defesa. Foram os professores, os pais e os ex-alunos que vieram para a rua (e a rua, como espaço público, passa cada vez mais pelas redes sociais) manifestar a preocupação e desagrado.

 

E o que tem isto de extraordinário? Tudo! A Escola faz-se com as pessoas que a constituem (mesmo as que já lá não estão). E um dos problemas da escola pública é precisamente essa despersonalização (que acarreta, por si só, desresponsabilização), em que ninguém se compromete. O que marca a diferença entre escolas é a capacidade de envolver as pessoas num projecto. E esse deveria ser o argumento fundamental.

 

Não se trata de discutir os méritos de um sistema público versus um sistema privado. Apenas de destacar o que é relevante e que diferencia.

 

Onde se veem manifestações de pais, professores e ex-alunos a defender a SUA escola? Em casos pontuais de problemas de escolas do 1.º CEB. E nada mais. E será que não é aí que está toda a diferença? Quem está dentro das escolas sabe que é.

 

Por fim, e se a questão dos valores é assim tão relevante para o ME, então que mostrem, de forma clara, quanto custa uma turma em cada escola. Pública ou não. Assim, todos poderíamos perceber se há razão nos argumentos.

publicado por Ricardo Antunes às 12:43

09
Dez 10

Estou, como alguns sabem, de regresso ao ensino secundário.

É curioso e doloroso ao mesmo tempo.

 

Aquilo que tantos vêm apregoando sobre a escola está agora debaixo do meu nariz. E é verdade: se não acontecer qualquer coisa radical e urgente, a situação torna-se insustentável.

 

Alunos pouco ou nada motivados, quando confinados dias a fio a um regime que nada lhes diz (desde o formato ao conteúdo), acabam a rebelar-se... e os professores, agarrados a modelos rígidos, e obrigados a manter-se neles, por pressões de todos os lados, não entendem o que se está a passar debaixo dos seus olhos.

 

Turmas de alunos indisciplinados, a começar cada vez mais cedo (7.º, 8.º ano...) criam um clima de incapacidade e frustração.

Mas porquê esta aversão à escola? Não vou trazer para aqui todos os estudos sociológicos sobre o assunto (ainda que em muitos deles, haja sinais do que se está a passar), mas apenas a questão tecnológica.

 

O modelo de aprendizagem dos alunos que temos é, hoje, muito mais amplo do que aquele que os alunos tinham há umas décadas. Nativos digitais, aprenderam a receber múltiplas informações em simultâneo e a reagir em tempo real. Isso cria um confronto claro nas salas de aula, com um modelo de transmissão de informação que pouco evoluiu desde meados do século passado.

 

Poderá a escola adaptar-se a esta nova realidade?

Estaremos nós em condições de abrir a escola a novos modelos?

Se não o fizermos, corremos o sério risco de passar a ser pouco mais do que irrelevantes para uma geração inteira!

 

Espaço de estudo informal num nvo edifício escolar

 

Como se pode ver, bem longe do modelo das nossas escolas, mesmo as "renovadas".

publicado por Ricardo Antunes às 16:21

19
Set 10

A resposta que vais obter, depende em grande parte da pergunta que fores capaz de fazer!

 

publicado por Ricardo Antunes às 11:02

10
Set 10

Chega-me, via facebook de José Manuel Fernandes, esta preciosidade.

Lembro-me de a ter lido, algures em 1995, numa aula de Didáctica do Português.

 

Bem aparecida seja!

 

Uma carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."


Abraham Lincoln, 1830

 

publicado por Ricardo Antunes às 22:10

Neste ano lectivo, regresso às aulas.

 

Depois de alguns anos a dar aulas a "meninos grandes", e de um ano absolutamente fantástico na formação PNEP (a propósito, se ainda não nos visitou, esperamos que nos apoie no Movimento Volta PNEP), volto à Secundária.

 

Muita novidade, muitos "dejá vú", e, acima de tudo o regresso a um mundo onde comecei a formar-me enquanto profissional.

 

É interessante este regresso, especialmente porque pensei muito e reflecti muito sobre determinadas práticas que agora posso experimentar novamente na 1.ª pessoa.

 

A ver vamos como corre!

 

 

publicado por Ricardo Antunes às 22:02
tags: ,

21
Jul 10

Roubei, descaradamente, no Dúvida Metódica.

(como é para redistribuir, não me levarão a mal...)

 

Custa assim tanto pensar estas coisas a sério? Só um bocadinho?

Inteligência, a palavra proibida

Há uma palavra proibida quando se fala de educação: inteligência. Os professores nunca recorrem, pelo menos em voz alta, a explicações deste género: “O aluno X teve notas muito baixas porque é pouco inteligente”. Os especialistas em educação e os políticos que nela mandam, ao explicar o sucesso e o insucesso escolares referem as causas mais díspares (as estratégias utilizadas pelos professores, a gestão das escolas, o tamanho das escolas e das turmas, o ambiente familiar, etc.), mas nunca a inteligência dos alunos. E muito menos a falta dela!

É estranho que assim seja, pois a existência e a influência da inteligência no comportamento e na aprendizagem parecem indesmentíveis. Tal como o facto de esta ser uma questão de grau e de haver pessoas mais inteligentes que outras.

Se bem me lembro de algumas leituras de Psicologia, os psicólogos não descobriram que a inteligência não existe, mas sim que é difícil de medir com rigor e que não é provavelmente uma capacidade única, sendo composta por várias aptidões diferentes (podendo uma pessoa inteligente na matemática, por exemplo, não o ser noutras áreas). Essas descobertas deviam, quanto muito, levar-nos a não confundir o célebre QI (os resultados obtidos nos testes) com a inteligência efectiva da pessoa e, talvez, a falar de ‘inteligências’, no plural, mas não a banir a palavra e o conceito.

Sendo assim, porque é que a palavra ‘inteligência’ nunca aparece nos discursos sobre a educação?

 

Alguém lembrou, a propósito, Steven Pinker e a sua obra  The Blank Slate (Tábua Rasa).

 

Vejam aqui o próprio a explicar a teoria.


publicado por Ricardo Antunes às 10:05

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