"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender." Pascal

02
Jan 11

 

Ando há vários dias a ensaiar uma reacção às notícias sobre os Colégios.

 

 

Tenho uma ligação a esse mundo por via do meu percurso académico e profissional.

Primeiro, frequentei o Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim, do 9.º ao 11.º ano de escolaridade. Não havia (e creio que continua a não haver) outra escola nessa localidade.

Depois, frequentei o Colégio de S. Miguel, em Fátima, no 12.º ano. Também lá não existe oferta pública directa (há três colégios).

Anos mais tarde, quando acabei o estágio, como professor, e descobri a realidade (não ter colocação no sistema público), foi o Colégio de S. Miguel que me acolheu como professor e lá trabalhei de 1997 a 1999.

 

Conheço, assim, com algum detalhe a questão.

 

Devo dizer que muitos argumentos que foram surgindo foram, e são, interessantes e, só por si, serviriam para responder à questão (a falta de oferta na rede pública, os resultados dos alunos, a estabilidade dos envolvidos, a possibilidade de escolha, etc...). Mas não é esse o argumento que quero trazer à discussão.

 

Quando se começaram a conhecer os contornos da nova lei, o que mais se destaca (e que deveria ser motivo de reflexão por responsáveis políticos, se é que querem mesmo pensar na questão) é o facto de não terem sido fundamentalmente as Direcções dos Colégio a criar movimentos de defesa. Foram os professores, os pais e os ex-alunos que vieram para a rua (e a rua, como espaço público, passa cada vez mais pelas redes sociais) manifestar a preocupação e desagrado.

 

E o que tem isto de extraordinário? Tudo! A Escola faz-se com as pessoas que a constituem (mesmo as que já lá não estão). E um dos problemas da escola pública é precisamente essa despersonalização (que acarreta, por si só, desresponsabilização), em que ninguém se compromete. O que marca a diferença entre escolas é a capacidade de envolver as pessoas num projecto. E esse deveria ser o argumento fundamental.

 

Não se trata de discutir os méritos de um sistema público versus um sistema privado. Apenas de destacar o que é relevante e que diferencia.

 

Onde se veem manifestações de pais, professores e ex-alunos a defender a SUA escola? Em casos pontuais de problemas de escolas do 1.º CEB. E nada mais. E será que não é aí que está toda a diferença? Quem está dentro das escolas sabe que é.

 

Por fim, e se a questão dos valores é assim tão relevante para o ME, então que mostrem, de forma clara, quanto custa uma turma em cada escola. Pública ou não. Assim, todos poderíamos perceber se há razão nos argumentos.

publicado por Ricardo Antunes às 12:43

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